sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Orgulho da mamãe



Jake Bugg é inglês de Nottingham. Tem 19 anos. E acaba de lançar seu segundo disco: "Shangri La".

Em 2012, saiu o primeiro, homônimo, cuja faixa "Seen It All" faz parte da trilha sonora da atual novela global das 19h: "Além do Horizonte".

Em julho, Jake Bugg, veja só, abriu show dos Rolling Stones, no Hyde Park, em Londres. Repito: o garoto de 19 anos abriu show dos Rolling Stones! E é a atração principal do palco alternativo do Lollapalooza Brasil, que acontece em abril de 2014, em São Paulo.

Voz bacana, violão e guitarra rápidos, "jovem Bob Dylan", "filho bastardo de Noel Gallagher" (Oasis), Jake Bugg, com seu folk nervoso, é um fenômeno, com musicalidade de gente grande. O garoto não é como eu e você. É do tipo raro e surpreendente. Um prodígio.

Lembro que, certa vez, uma amiga, ao acompanhar pela TV a história de um garoto como Bugg, também fenomenal, suspirou: 

"Por que meus filhos não são assim?".

Achei o comentário engraçado. Minha amiga, sem perceber, reconhecia a mediocridade dos próprios filhos. Queria que eles fossem "especiais" como Bugg, com inteligência ou dom ou talento ou sei lá o que acima da média. É isso, afinal, o que todas as mães desejam para os filhos, não é? Que eles sejam incríveis. 

Só que não somos. A grande maioria de nós é medíocre. Ou, como explica o Houaiss: "pessoa pouco capaz, sem qualquer talento que, de modo geral, fica aquém das outras ou que, num dado campo de atividades, não consegue ultrapassar ou mesmo atingir a média."

Ser medíocre, enfim, é ser comum. E ser comum é ser como qualquer outro. É levar uma vidinha até legal, confortável, mas comum, com pizza às sextas-feiras à noite e picolé nos domingos.

Olhando para trás, nem me reconheço mais no garoto de 19 anos que um dia eu fui. Na época, como todo jovem, era petulante. Acreditava que podia tudo, que era "especial" e "faria diferença" no mundo. Seria o "orgulho da mamãe". 

Mas o tempo foi passando e, com o tempo, percebi que não havia nada de "especial" em mim e, preguiçoso, fui me adaptando à mediocridade da grande maioria de nós.

Hoje, aceito essa condição sem desespero. E uso a minha natural mediocridade para fazer bolos de chocolate. Não é o que planejei para o futuro-agora, mas ao menos adoça a vida.

Enfim, acho que devemos tentar fazer o melhor possível com o que temos e com o que somos.  
  
Para ouvir Jake Bugg, clique aqui
 

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