terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Entre as montanhas chilenas


Éramos quatro. E voltamos vivos: os quatro.

Fomos ao Chile. Passamos por Santiago, capital de ruas arborizadas e muitos parques. De carro, seguimos pelo litoral chileno (Ruta 5), rumo ao norte: Cartagena, Valparaíso, Viña del Mar, Los Vilos, Coquimbo, La Serena.

Calor forte e seco, mas amenizado pelo vento gelado do Pacífico. Praias bonitas, com mar azul-esverdeado e ondas bravas. Chilenos fazem piquenique na praia, sem a vergonha brasileira de "farofar" em áreas públicas. 

Lá, farofar pode. Beber cerveja à beira-mar não pode. No Chile, é proibido vender bebida alcoólica na praia. É o lado mais conservador de um país que, ao contrário do Brasil, já aprovou sua lei contra a homofobia. 

De La Serena, partimos para Copiapó, cidade situada na região do deserto do Atacama. Ao longo da estrada, a vegetação vai desaparecendo até sobrar apenas areia, pedras e montanhas com mil tons de amarelo.

O deserto é a paisagem da solidão. Aridez com luz intensa, que fere os olhos e ilumina a alma. Impressiona saber que pessoas vivem em meio àquela imensidão vazia.

País de relevo acidentado e montanhoso, menos de 20% do território chileno é plano. Tem a Cordilheira dos Andes (imensa, deslumbrante), a pré-Cordilheira e milhares de montanhas entrecortadas por vales e estradas.  

Durante os quase 20 dias de viagem, percorremos uns 2 mil km, erramos alguns caminhos, fomos multados por excesso de velocidade (não recomendo), andamos à esmo, rimos, brigamos, subimos montanhas perigosas, comemos empanadas, celebramos o que havia para celebrar.

Viajar junto, com amigos, é legal. Mas pode não ser sempre legal. Saiba disso. 

Mais do que o lugar visitado, o que determina as alegrias de uma viagem em grupo é a cumplicidade daqueles que estão viajando juntos.

Sim, cada um tem seu jeito próprio de sentir, de descobrir, de saborear as sensações. Mas é preciso estar inteiro com quem está ao seu lado. É isso que justifica o "estar junto". É isso que faz cada um compartilhar com o outro as experiências vividas no lugar-destino.

Viajei de saco cheio. Voltei leve. Cansado, com o sono desregulado, o corpo moído. Mas repleto de novas memórias afetivas. 

Viajar (para onde for) continua sendo meu único projeto de vida.

Doloroso, agora, é voltar à velha e modorrenta rotina. 

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