sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Quem se importa com a morte de Kaique?

Em 2012, no Chile, um rapaz homossexual de 24 anos, chamado Daniel Zamudio, foi assassinado de maneira brutal. O crime comoveu a população chilena, e o Congresso daquele país aprovou, em caráter de urgência, uma lei contra a homofobia.

Hector, amigo chileno com quem conversei muito durante minha passagem pelo Chile, confirmou que a morte do rapaz, de fato, chocou a população. Hector informou que os assassinos estão presos e que os chilenos chamam a nova lei de Lei Daniel Zamudio.

No Brasil, o menino Kaique, de 17 anos, foi encontrado morto em uma avenida de São Paulo na madrugada de sábado (11/01). Kaique foi assassinado a poucos metros de onde eu moro. Assustador. 

Segundo familiares que reconheceram o corpo, não havia dentes na boca do menino e ele apresentava sinais de tortura, hematomas na cabeça e uma barra de ferro cravada em uma das pernas.

A polícia investiga o caso, mas tudo indica que foi crime motivado por homofobia, assim como aconteceu com Zamudio. A diferença é que a morte de Zamudio mobilizou a população e os políticos chilenos a aprovarem uma lei anti-homofobia, enquanto a morte de Kaique não comoveu quase ninguém aqui no Brasil.

Triste isso, não?

Se um assassinato brutal como esse não é capaz de sensibilizar os brasileiros, quantos homossexuais ainda precisam ser mortos para que as pessoas entendam que homofobia mata? Quantos homossexuais ainda precisam ser mortos para que os políticos aprovem uma lei que nos proteja?

Existem muitos culpados pela morte de Kaique. E se você é da laia que defende que a homossexualidade é "aberração", "pecado", "doença", "sem-vergonhice", pode acrescentar mais esse assassinato à sua ficha criminal. 

Frase do Millôr Fernandes: "Algumas pessoas matam. As outras pessoas se satisfazem lendo a notícia dos assassinatos."

E aí? O assassinato de Kaique te satisfez? Ou precisa de mais?

Um comentário:

  1. Belíssimo comentário Marcos, estamos tão acostumados à quaisquer notícia de mortes e situações, que é somente mais uma notícia corriqueira. O fato ocorreu em frente ao prédio onde moro, e hoje questionando o zelador disse-me que achou que fosse um atropelamento e nem viu que o caso havia tido uma repercusão muito maior. É lamentável.

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