domingo, 26 de janeiro de 2014

Submissão


Favor não exigir de mim mais do que eu posso ser.

Favor respeitar meu metro quadrado.

Antes, eu até me esforçava para agradar. Abandonava minhas vontades, encolhia a barriga, aceitava propostas indecentes para caber nas expectativas das pessoas.

Vamos à praia? Eu ia.
Sorria mais! Eu sorria.
Seja condescendente! Eu era.
Goste de jiló! Eu fingia gostar.
Use a cor da moda! Eu usava.
Me ouça! Eu ouvia.

Achava que, agindo dessa maneira, realizando os desejos das pessoas, estava sendo gentil e educado. Mais que isso: queria ser (ou parecer) um sujeito legal. Aquele tipo de sujeito que aceita qualquer merda para não ferir sentimentos alheios.

No filme "12 Anos de Escravidão", Solomon Northup, o protagonista, logo percebe que a submissão é requisito básico para sobreviver. Por isso, ele se cala diante das atrocidades cometidas pelos senhores de escravos.

É assim que age quem acredita que, para sobreviver, precisa ser submisso, e acaba se transformando em "escravo" das vontades alheias, abdicando de si mesmo, de suas idiossincrasias, para manter "a boa convivência". 

Eu fui esse por muito tempo. Hoje, dentro do possível, me recuso a fazer aquilo que não quero. Cansei de me sujeitar a conversas, pessoas, situações que não me interessam. 

Enfim, aprendi a dizer "não, obrigado".

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