sábado, 22 de março de 2014

Quando for possível ser feliz

se eu pedisse para você se sentar à mesa comigo para ouvir a minha história completa, do começo, quando vim ao mundo, até este exato momento, quando escrevo este post, você provavelmente começaria a bocejar entre o dia em que parei de fazer xixi na cama e o dia em que levei o meu primeiro tombo de bicicleta – e talvez cairia em sono profundo antes mesmo de eu chegar à adolescência. 

minha vida, assim como a vida da grande maioria das pessoas, é uma sucessão modorrenta de acontecimentos desimportantes e, se eu a contasse em plano-sequência, sem uma boa edição que compile em dez ou quinze minutos apenas os melhores e, principalmente, os piores momentos, aposto que nem você nem ninguém suportaria ouvi-la inteira.

pensa aí, pensa na sua vida e use a sua memória para selecionar os principais trechos, aqueles que fizeram você se sentir verdadeiramente especial. são muitos? são o bastante? se sim, sorte sua, porque o meu "the best of" não tem muito mais do que seis ou sete episódios que merecem registro.

viver é tempo demais sem sentir absolutamente nada. 

o que você fez ontem? o que você sentiu ontem? pode ser que ontem tenha sido o seu grande dia e você tenha vivenciado algo incrível, mas se foi um dia como qualquer outro, você com certeza já o esqueceu, como já esqueceu milhares de outros dias que se foram sem deixar nenhum vestígio.

assim é, e não tem lamento algum aqui. tem somente a constatação de que, se assim é, devo aproveitar melhor cada segundo dos raros momentos em que experimento algo extraordinário. 

serei mais feliz quando for possível ser feliz.

11 comentários:

  1. Parabéns pelo blog. Tomara que não se perca como muitos outros. Abraços.

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  2. Olá! Está utilizando algum medicamento hoje? Lembro de outro post que voce falava da troca do escitalopram pela bupropiona. Deu resultados? Aguardo respostas. Meu médico estava em dúvida quanto aos dois, mas acabou prescrevendo escitalopram pelo perfil mais incisivo na ansiedade. Grato.

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    1. Hugo, não tomo mais antidepressivo há muito tempo. Por isso, não tenho como te responder. Abs.

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  3. Marcos, e como está sua vida hoje sem antidepressivo? Faz uso de algum outro remédio ou terapia alternativa? Está curado? Manda notícias, quem acompanha o blog tem curiosidade em saber. Abraço!

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    1. Hugo, é que já escrevi sobre meu período pós-antidepressivo em vários posts. Estou bem, dentro do possível. Sem uso de nenhum remédio. Mas acho q tem pessoas que precisam de medicamento. Eu, não mais. Abs.

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  4. Oi Marcos, gostaria de te dizer que o teu blog foi muito importante para mim, no pior momento da minha vida, hoje após dois meses de tratamento me sinto renascendo, não pulo de alegria, mas voltei a ter uma vida funcional.

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    1. Oi, qual o medicamento q vc utiliza. Estou usando exodus mas estou sentindo ansiedade e perdendo peso. estou na primeira semana de tratamento. Como foi o inicio do seu tratamento, a dose, se teve de conciliar com ansiolitico... manda noticias. grato.

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    2. fico feliz q o blog tenha te ajudado de alguma forma.

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  5. O melhor post de todos os tempos!

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  6. Olá hj encontrei seu Blogpq procurava sobre as reações do Exodus, mas li seus posts achei incrível, pq? direto no que diz e não faz rodeios, me lebrou um pouco o Dr. House! inteligente, continue escrevendo vc é bom nisso. Ah qto a depressão mina mãe me disse uma vez "Mesmo quando vc se sentir no fundo do poço ainda assim haverá uma saída....é só olhar p cima" abços

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  7. Parece que a maioria das pessoas chegam aqui através do tal "exodus" mesmo ... eu estava fazendo associação ( no facebook) da banda Exodus, da música da M.I.A. e sim, do medicamento, acho que foi sem querer, embora esteja me tratando. Devagar e pelo começo vou evitar medicamentos. Não vou contar detalhes, pois é desnecessário e na boa, que tédio será. Um abraço e vou ler a parte musical.

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