domingo, 27 de abril de 2014

Cada um é feliz do seu jeito

Em crônica publicada na Folha, Antonio Prata cita um diálogo do filme 8 1/2, de Fellini.

Lamenta Marcello Mastroianni para um cardeal: “Eminência, eu não sou feliz.” O pontífice, então, pergunta: “Quem disse que você veio ao mundo para ser feliz?”.

É isso: quem disse que a gente veio ao mundo para ser feliz? 

Ah, sim, "é melhor ser alegre que ser triste", como diz a letra daquele samba. Disso ninguém discorda. Querer ser, porém, não significa que seremos. 

Viver é foda. E, ao contrário do que afirmam os enganadores da autoajuda, nem tudo depende só de nós, dos nossos quereres, da nossa força de vontade. Há coisas, muitas coisas, fora do nosso controle. E essa tal felicidade é uma dessas coisas. 

Ser feliz não é como ser magro. Para ser magro, existem fórmulas prontas e basta segui-las religiosamente para perder os quilos a mais. E para ser feliz? Alguém conhece um modo infalível?

Não, né? Afinal, cada um é feliz do seu jeito. E acho que somos cada vez mais infelizes por não entendermos isso, por insistirmos em seguir determinados "padrões" que, supostamente, nos tornariam mais felizes. Balela. Nem tudo que é bom para Maria é bom para Joana.

O que nos faz infelizes não é a falta de felicidade (ou de momentos felizes). O que tem acabado com a gente é essa busca desesperada por uma felicidade fabricada, dessas que a gente vê nos comerciais de televisão.

Sim, tem gente que é feliz escalando o Monte Everest. Mas tem gente que é igualmente feliz em casa, sozinho, lendo um livro.  

Ser feliz com o que te faz feliz. Acho que é isso. 

Um comentário:

  1. Essa tal felicidade...


    ... ler um texto assim, se não feliz me faz melhor.

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