terça-feira, 29 de abril de 2014

Somos todos bananas

Pois é, o tal #somostodosmacacos foi idealizado por uma agência de publicidade. Agora, vai saber se não combinaram até o local e o momento exatos de a banana ser jogada no campo para que o Daniel Alves, "espontaneamente", a comesse. Sei lá, neste mundo comandado por marqueteiros, acho tudo possível.

Quem aderiu à campanha deve estar se sentindo ludibriado, como quem descobre que acabou de cair numa "pegadinha". 

Sim, a intenção da agência e do Neymar pode ter sido boa: fazer as pessoas combaterem o racismo - nos campos de futebol e fora deles. Mas, embora todos sejamos manipulados de um modo ou de outro, ninguém curte saber que foi manipulado.

O cara da agência, em entrevista para a Veja, disse que "tentar desmerecer o movimento pelo fato de ter uma agência por trás é tão preconceituoso quanto o torcedor que joga a banana". E pergunta: "Por que não podemos ajudar com uma ideia?".

Poder ajudar, pode. O problema é o modo como a coisa toda foi montada. Engabelar as pessoas para fazê-las aderir à campanha não é lá muito ético. Ou é? Ou os fins justificam os meios? Ou vale tudo para "vender" uma ideia?

Quando vejo o comercial de uma geladeira na TV, sei que se trata de uma propaganda e, por se tratar de uma propaganda, sei que a geladeira é apresentada como "a melhor do mundo". Cabe a mim - e só a mim - decidir se compro ou não a geladeira.

Se a agência tivesse feito o mesmo com o #somostodosmacacos, todos saberíamos que se tratava de uma campanha feita por uma agência e cada um decidiria se entraria nela ou não. 

Como agiu sorrateiramente, inventando uma situação que pensávamos ser "espontânea", a agência fez de todos nós uns bananas.             

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