sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Ontem eu não fiz nada

Foi assim: anteontem eu terminei meu último trabalho e, ontem, eu não fiz nada - absolutamente nada. E não fiz nada porque não senti vontade de fazer nada. Simples assim.

Aí, claro, fui abatido pelo tédio - o mais profundo tédio. 

Não falo aqui do tédio situacional, aquele que sentimos ao esperar por alguém ou ao ouvir uma conferência chata.

Também não falo do tédio da saciedade, quando obtemos demais da mesma coisa e tudo se torna banal.

Nem do tédio criativo, quando sentimo-nos forçados a fazer algo novo.

Falo do tédio existencial, o mais terrível de todos, aquele em que a alma está sem conteúdo e o mundo em ponto morto.

Quem separou o tédio nesses quatro tipos - o situacional, o da saciedade, o criativo e o existencial - foi o professor Martin Doehlemann. E ao pensar nesses tédios todos parece que tudo que a gente faz na vida tem como único objetivo escapar do tédio.

Georg Büchner, em Leonce und Lena“O que as pessoas não inventam por tédio! Elas estudam por tédio, jogam por tédio e finalmente morrem de tédio."

É meio isso, não é? A gente vive inventando "coisas para fazer" simplesmente para não ficar sem fazer nada e ser chicoteado pelo tédio.

Comprar um sapato novo, fazer um curso qualquer, assistir televisão, ler um livro, varrer a casa, ir ao museu, dançar funk, ficar postando bobagens nas redes sociais, tudo isso serve para matar o tempo e "driblar" o tédio.

Ontem, no entanto, nada disso me livrou de "morrer de tédio".    

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