quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Men & Dolls

 ‘Shadowman’ e Carly

‘Nescio50′ e Lily

‘Deerman’ e Erica

Chris Zacho

‘Baron von doll’ e Tania
A autora dessa série de fotografias aí em cima é a fotojornalista Benita Marcussen. São retratos de homens que se relacionam com as chamadas sex dolls. Mas, ao contrário do que sua cabecinha "suja" pode pensar, são relações que vão muito além da sexual. 

Deerman, o homem da terceira foto, perdeu a mulher, vítima de câncer. Tentou se relacionar com outras mulheres, mas nenhuma deu bola para ele. Deerman, então, resolveu comprar uma boneca semelhante à esposa dele para lhe fazer companhia. Se é feliz assim, quem somos nós para julgá-lo?

Solidão é foda. E cada um encontra seu jeito de lidar com ela, de aliviar essa sensação terrível de estar só no mundo.

No filme Ela, do Spike Jonze, o solitário Theodore (Joaquin Phoenix) se apaixona pelo seu sistema operacional, chamado Samantha e com a voz da Scarlett Johansson (Acho que até eu me apaixonaria por um sistema operacional com a voz da Scarlett Johansson). Mais que delírio, Ela fala muito sobre o nosso tempo - um tempo em que nos distanciamos mais e mais das "pessoas reais" para nos relacionarmos com suas "versões virtuais".

David Levy, um cientista especializado em inteligência artificial, diz que, no futuro, "a ocorrência de relacionamentos sexuais e amorosos entre robôs e seres humanos é inevitável". Não duvido. Acho que estamos mesmo ficando de saco cheio uns dos outros e cada vez mais preferimos manter distância segura uns dos outros. 

Já existe até uma geração, chamada de geração herbívora, que não quer mais saber de contato sexual ao vivo. Só via computador.

Do jeito que as coisas estão, com todo mundo querendo evitar a dor, o sofrimento, as frustrações a qualquer custo - como se a dor, o sofrimento e as frustrações não fizessem parte da vida - a saída é mesmo se apaixonar logo por uma mesa e viver feliz para sempre ao lado da sua mesa.

Quem insiste na felicidade plena, perde a possibilidade de ser feliz aos poucos. 

Men & Dolls, mais fotos aqui.  

Um comentário:

  1. Cara, eu assisti o filme her! Apesar de ter torcido o nariz para as cenas, ou semi-cenas de automutilação(é...porque se não houver sexo, ainda algo parecido não faz sucesso), gostei. O autor, por Spike Jonze, relata o pânico que os seres humanos (reais) tem hoje pela dor, solidão, ansiedade, medo. Sei não. No final, quando Theodore (Joaquin Phoenix) descobre que seu sistema operacional tem vários parceiros, operacionais ou humanos, entendi que a busca de hoje, "dos reais", é por mais um gozo. Tem nada a ver com prazer, companhia, calma ou coragem, mas sim com uma competitividade infeliz. Resumindo: o Theodoro é um bobo e corno por não acompanhar a manada. Sei lá. Será que as Sex Dolls são fiéis?

    Ps.: Gostei da colocação, "Se é feliz assim, quem somos nós para julgá-lo?" :)

    ResponderExcluir