terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Agora é tarde

Antes, você desprezava os minutos, ignorava-os.
“Que horas são?”, perguntavam-lhe, e você arredondava a informação, desdenhando dos minutos quebrados.
“São 7 e 15”, você respondia, engolindo um ou dois ou três preciosos minutos.

Antes, você não se importava que lhe roubassem os minutos.
“Só mais cinco minutos”, pediam-lhe, e você dava os cinco minutos.
Dava até mais.
Não se incomodava em perdê-los.

Agora você sabe o quanto esses minutos lhe fizeram falta.
Se tivesse vivido cada minuto que esnobou ao longo da vida, talvez não houvesse essa sensação terrível de ter vivido tão pouco em muitos anos.

Minutos perdidos que, acumulados, dariam para ir à lua e voltar.
Mas você não foi à lua.
E talvez não haja mais tempo para ir. 
Você deixou seu tempo passar nos minutos que você deixou de contar.

Agora é tarde.

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