segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Quem quiser que acredite

Rede social tipo Facebook. 

Tem o curtir, o compartilhar e o comentar. E tem também o recalque, o exibicionismo, muitos gatinhos, selfies de monte, um bocado de Jesus, o blá-blá-blá e o mimimi. 

Fotos. Tem muitas. De felicidade principalmente. Porque o que postamos é sempre uma versão editada das nossas vidas. E, nessa edição, preferimos cortar as partes ruins e publicar apenas "os momentos felizes".

Em rede social tipo Facebook a disputa é acirradíssima. "Viajo para Paris hoje" pode significar "Morram de inveja!" E "Boa viagem, minha amiga" pode significar "Tomara que o avião caia."

Dá para criar (e criamos) um personagem em rede social tipo Facebook. Um personagem que somos nós mesmos com alguma maquiagem para esconder as olheiras e os fracassos. Um personagem que somos nós mesmos vivendo uma vida que talvez nem seja a nossa de verdade, mas almejamos.

Rede social tipo Facebook é espécie de Ilha da Fantasia, onde podemos "ser" tudo o que desejamos ser. E quem quiser que acredite.

Não sei se é verdade, mas me contaram sobre uma pessoa que anunciou uma viagem no Facebook e permaneceu uma semana dentro de casa, incomunicável, para que todos acreditassem que ela estava mesmo viajando.

O ser humano é um bicho bem esquisito.

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