quarta-feira, 19 de agosto de 2015

mãe é mãe

Na agência de modelos.

- Desculpa, querida, mas você não é bonita o suficiente.
- O que eu disse, mãe?
- O senhor reparou nos olhos da minha filha?
- Sim.
- São lindos!
- Estão mais para comuns.
- E a boca, a boca é perfeita! Tem linhas perfeitas! Parece a boca da Angelina Jolie!
- A Angelina não é só boca.
- E o nariz? Arrebitado!
- Arrebitado?
- Sim!
- Está mais para batatudo, minha senhora.
- Chega, mãe! Vamos embora!
- Nada disso! Vira, filha! Vai, vira de costas! Mostra essa sua bunda empinadinha pra ele! Tá vendo? É ou não é uma bunda sensacional?
- Bundinha.
- Bundinha?! O senhor só pode estar de brincadeira!
- Não, minha senhora, eu não brinco em serviço.
- Mãe, por favor!
- Tem marquinha de biquíni. Olha!
- Já olhei.
- E a pele da minha filha? Olha bem! Pele de pêssego!
- Não fossem as espinhas, poderia seria.
- Espinha?! Que espinha?!
- A senhora quer contar? Se quiser, a gente conta. Tem uma aqui, na testa; outra aqui, na ponta do queixo...
- O senhor tem certeza que é a pessoa mais preparada pra avaliar a beleza da minha filha? Não tem outra pessoa aqui...
- Estou nesse ramo há 20 anos, minha senhora. Sei muito bem avaliar quando a menina atende ou não aos requisitos básicos.
- O senhor é muito cruel, sabia?
- Não, minha senhora, eu não sou cruel. Sua filha que é feia.
- Mãe!

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